Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

AI MAEL!


“É TANTA COISA NO MENU QUE NÃO SEI O QUE COMER”

Eu estava quieta num canto e o telefone veio me chamar. Puxa vida... Independente do entorpecente, sempre estou gostosa, linda, poderosa. E era meu dia de folga, @#&%*, estava tomando decisões importantes na minha vida, sentada na cadeira do alpendre da casa de roça do Cristian Lemos, dezoito anos, burro, perfeito. Tá. A casa não é dele, é da colega de curso de massagem mental, mas será, um dia. O telefone tocando.

Precisando escolher os candidatos, domingo, dia 05, isso me deixa assim, introspectiva. Afinal de contas, Cristian é um jantarzinho gostoso, mas sanduíche todo dia enjoa e a namoradinha dele é sem sal nem pimenta. Quanto a Olavo Randir, ah... Esse sim! Eu chuparia o pomar inteiro daquele rapaz interiorano. Não. Vou justificar e não vou não. Telefone tocando.

Talvez eu devesse fechar o consultório amanhã, sexta-feira, voltar só na terça, arrancar umas camisetas do Jonelson, comer uns frangos... Não.

Natal-RN? Ver a derrota do PT lá? Ah, PT saudações. Tem muito jacaré. Telefone tocando.

Atendi. Mael Júlia, aquele homem que me seqüestrou e fez de mim o que quis, diz que quer me enviar uma foto dele, está diferente. Recebi. MEEEEEEEEU DEEEEEEEUssss!!! Quase implorei para ser seqüestrada novamente, pelo menos nesse fim de semana.

Ainda bem que não volto antes de terça-feira. Assim, não serei obrigada a dar para a minha amiga solteira que faz aniversário na segunda – 06 – um voto daqueles. Vai que ela resolve ser seqüestrada!

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

AMPUTA

O SEQÜESTRO DE GERTRUDES XIMENES


A Dra. Ge – como gosta de ser chamada – terapeuta ocupacional, moral e cívica, não formada, mas com vasta experiência, comentou certa vez: “Pretendo escrever um livro autobiográfico porque minha vida foi interesantíssima, até ontem... Hoje eu ainda estou analisando...”. Traumatizada agora, depois de ter sido violentamente retirada do convívio com seus pacientes de consultório e de famoso tópico no Orkut, não quer mais falar. Quando está leve, depois de suas cubas, a Doutora conta uma versão para o acontecido, dizendo que foi raptada por Reinaldo Gianecchini, que a estapiou, jogou na parede e a chamou de baratinha. Quando sóbria, não responde pergunta, não revela cativeiro, não dá pistas. Eu, que não pretendia me envolver, pois sei que Gertrudes tem ex na PF e poderia resolver por lá o caso de polícia, segui minha vida, prestigiando a Doutora e rindo dos conselhos com que ela presenteia os mais incautos seres. Porém, uma de suas pacientes mais fervorosas, um pouco doentinha demais, a tadinha, e com distúrbio que não o sei bem, daqueles que a pessoa fica mudando de nome (de dia, Paradigma; antes, Lua Azul; de noite Canudinho), comentou com a vitimada Doutora que a mesma estava diferente, não era a mesma pessoa. Isso me intrigou e resolvi então que traria a verdade para o mundo!

Liguei para a Doutora Gertrudes Ximenes, convenci-a que me relatasse o ocorrido, marquei hora e pedi permissão para levar um vidente do FBI, amigo de um amigo, até o consultório dela. Os fatos que relatarei a seguir são os que aconteceram naquela noite de 04 de novembro de 2007, narrados a mim pela emocionada e trêmula não recuperada Doutora e confirmados pelo médium policial de Los Angeles, Mister Mac’Doeu.

O último paciente do dia estava já de saída, um dos mais nervosos e irritantes dos seus, possuidor de três personalidades possuídas. Cansada (bêbada), pediu que os três se matassem um ao outro, enquanto ela deles se despedia. Recostou-se na poltrona e respirou fundo, enquanto bebia mais um gole de bourbon. A porta do consultório estava entreaberta e ela não viu a sombra que se aproximava. Puxou uma cadeira e colocou suas pernas para cima enquanto acendia um cigarro. Sentiu um cheiro diferente no ar, um odor inusitado... Olhou para o cigarro, queria ver se o havia acendido o certo então, ao verificar que sim, desconfiou que não estava sozinha. Estremeceu. Pensando rápido em uma reação ortodoxa, usando a vasta, vastíssima cabeleira, jogou a enorme cabeça para o lado e olhou de relance. Pulou da poltrona em sobressalto e perguntou, com olhos ainda mais arregalados que o normal, o que ele fazia ali àquela hora. A resposta não verbal foi estarrecedora... O homem começou a andar vagarosamente em direção a ela e Gertrudes, agora sentindo cheiro de coisa ruim, movia-se para trás. Foi quando tropeçou na cadeira, caindo. O sujeito, desta vez mais rápido, quase pulou em cima da Doutora (para ajudá-la) e ela, para levantar-se, tonta que estava, apoiou-se no banquinho onde encontrava-se a garrafa quase vazia de bourbon. O banquinho virou, a garrafa caiu em cima da testa da Doutora e o restante do líquido borrou toda sua perfeita maquiagem. Foi quando ela soltou o primeiro grito aterrorizador, revoltada com o desperdício de bebida e rímel. Engatinhando, pôde ouvir o homem ainda não identificado, pois que o consultório estava na penumbra, dizer que ela se acalmasse, iria ajudá-la. Ela não queria ouvir, queria sair dali... Tentou levantar-se e bateu a cabeça na mesa, tonteando ainda mais. Segurando uma das pernas da mesma terrível mesa, ergueu-se e, ao tentar correr, escorregou no tapete mexicano, caindo por cima do ombro, vindo a gritar novamente, desta vez com dor. Procurou avistar outra garrafa, não para se proteger de quem ela pensava ser um meliante, mas para tomar um gole e agüentar o golpe do tapete. O homem já não se movia. Entendeu que o melhor era esperar. Força descomunal e ajuda psiquíca (ela domina mentes) levantou Gertrudes novamente do chão. Correu até a saída, trocando as perninhas e derrubando tudo, cometendo erro matemático fatal: tinha certeza que o abusado havia deixado a porta aberta ao entrar e, em meio ao escuro, nela bateu a cara, vindo a ser nocauteada. Estava ao chão, desmaiada.

Abismado, Mael Julia, que só havia ido ali para pedir que ela reforçasse a terapia com seu parceiro de música, Roby Marx, apavorou-se, pois sabia que seria acusado, no mínimo, de invasão e que demoraria para explicar como a Doutora espancou sozinha a si mesma. Colocou a machucada dentro da capa do violão, levando-a consigo para tratá-la, desintoxicá-la e, de quebra, tentar ver se ela perdia uns quilinhos.

Respondendo Paradigma: Ela não está diferente, está envergonhada.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 15/01/07

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008


(“... Só louco
Quis o bem que eu quis...
Porque só louco
Só louco
Só louco, louco, louco...”)


04/11/2007 Comunidade do Orkut – “Textos da V.A.” 20h58.
Dra. Gertrudes Ximenes, Terapeuta Ocupacional não formada, mas com vasta experiência, aconselha um de seus pacientes nada “inglês” e possuidor possuído de três personalidades, dizendo a ele que mate a si e aos outros nele também. Pouco antes, havia proferido acusações a outros dois impacientes, chamando um de tadinho e outra de louca.

04/11/2007 Home office da V.A. – Brasília 21h35.

Cibernáutico e Graças Alfredo resolvem despedir-se de mim, coincidentemente ao mesmo tempo, cada um com sua alegação: Graças, ler Ubaldo, e Ciber, comer pizza. Doidinha interfona para dar um “boa noite”, entre risinhos e beijinhos, pois vai dormir mais cedo. Espantei-me! Mais cedo? A Doidinha? Pensei em febre, mas descartei por causa da voz arteira de sempre. Lella pergunta se ainda precisaria dela. Queria trancar-se em seu quarto para estudar. Estudar? Quase caí da cadeira.

04/11/2007 Home office da V.A. – Brasília 22h01.

Estou, euzinha, lendo “Desciclopédia” para aprofundar meu tédio, quando o telefone toca. O identificador de chamadas acusa o número 666, e penso que minhas orações foram ouvidas, que o marasmo estava no fim. Atendi e (como sempre) antes que dissesse alô, uma voz metálica de sintetizador deixou-me apavorada, desnorteada, arrepiada, desorientada, assustada e aos prantos, dizendo, enquanto despejava em mim um horrível terror:

– V.A.??? Acabei de raptar a sua personagem, hahahahahahaha (aquela gargalhada terrível...) Seqüestrei e encapuzei ... Perae... Encapuzei e seqüestrei a Gê Terapeuta, hahahahahahahahahahahaha (terrível, terrível!).

Eu, atônita, mecanicamente surpreendi o(a) meliante: – Quem está falando? E ele:

– Cale-se! E digo mais: não quero resgate, não quero nada... Perae... “Queta, nanica” ! Sua casa caiu V.A. ! Todo mundo vai achar que é despeito seu, hahahahahahahahahaha (aquela risada...)... Perae, de novo. A Gê caiu aqui. Ops, me dá um minutinho?

Entre gritinhos sufocados, móveis arrastados e barulho de unhas arranhando paredes, caiu a ligação. Sem ar, liguei para todos os contatos de Gertrudes. Corri para seu tópico em minha Comunidade e avisei o ocorrido.

04/11/2007 São Paulo 21h35.
Pessoas desesperadas e desequilibradas tentavam contato com a Terapeuta. Registra-se no celular da nanica, digo, Doutora, ligação de Kakau e de uma parente de Claudia Camilo. Ambas deixaram recado na C.P. do celular, cantando o hino do São Paulo Futebol Clube. Roby, Mael e Mel estavam rondando a Comunidade. Porém, Mael estava em Roby, ou, sei lá, coisa de maluco.

04/11/2007 Rio de Janeiro 21h35.
Tropporj, vulgo Horácio, estava ainda procurando seus cogumelos. Já sabia a localização. O problema era resgatá-los. Lua Azul uivava presa em seu domicílio, enquanto tentava interagir com a Gertrudes.

04/11/2007 Brasília 21h35.
Ana Lívia “estava e não estava” no MSN, conjeturando sabe-se lá o que e se realmente era ela. Rachel Maudade (assim diz seu amigo Horácio) exclamava uma quase lua-de-mel, sem mel, mas não menos doce. No Rio Grande do Norte, a ausência de Graças releva o apontamento da amiga Fran, seguidora fervorosa dos conselhos da Doutora Gê.

04/11/2007 Rio de Janeiro 21h50.
Alguém descobre que o Rio de Janeiro de Doutora Gertrudes Ximenes pode ser em qualquer lugar no Brasil e invade o consultório dela. A perícia já informou que a taça foi levada, mas que o Martinni estava espalhado em todo o recinto. Ouve resistência, luta das boas.

ÁLIBIS
Graças Alfredo: ....... “Foi o Tropporj”
Lua Azul: ............. “Vou cometer orkutcídio”
V.A.: ................. “Assustadíssima”
Mael: ................. “Foi a Vírgula. Não pode ter sido Roby”
Maudade: .............. “Nem estou aí, estou quase casando”
Roby: ................. “Faço a oração e pago o resgate”
Tropporj: ............. “Não fui eu! Não fui eu! (Snif, snif...) Foi a Maudade”
Ana Lívia: ............ “A Gê seqüestrou a si mesma”
Kakau: ................ “Ah?”
Mel: .................. “Não tenho cacife”
Cibernáutico: ......... “Sou inocente, indignado e pacato cidadão”
Claudia Alves: ........ “Nem sou mais da Comunidade”
Lella: ................ “Sou uma menina meiga, adolescente exemplar, estudiosa”
Doidinha: ............. “Eu sou apenas uma criança!”
Claudia Camilo: ....... “Sou lenta demais, dou conta não”

Possivelmente, logo, logo tudo estará esclarecido. Danna Scully e Fox Mulder já estão neste caso, considerado sem fundamento pelas autoridades competentes.

Ufa!! (um minuto de silêncio?)
Vírgula Antenada, 07/11/2007

PS.: Rosane, além de agradecer sua participação mais que especial e Tarantinamente escrevendo sua opinião (muito bom vc culpa-los!), quero te informar que para mim, você também é suspeita.

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

MANIFESTO DO ME POUPE!


Um desabafo: sinto-me impávida feito Muhammad Ali. Vou esculhambar, passar um pente fino na minha vasta cabeça e retirar as pragas desconcertantes que, ao acaso, ainda se encontram em meio aos emaranhados de fios desnorteadores e eletrizantes que compõe meu cérebro muito pensante e exato. Essa sou eu! Sem diminutivo (tá, vocêzinha?).

Sou deliciosa mesmo. Convivo com isso e não me esforço para ser a melhor. Já saí com toda a Tropa de Elite do RJ (os originais e os atores principais também, tanto uns quanto outros, tudo veado, salva só o Wagner!). É tiro para tudo que é lado, me acertam com tantos elogios que não sei mais onde arquivar. Por essa razão, venho pedir: me economizem, me poupem, Doces! Respeitem essa maravilhosa, exuberante e destemida, avaliada pela NASA como “modelo terrestre para publicidade sobre os povos da Terra”. Vocês, que tem a chance (por enquanto) de adquirir um quase nada da minha atenção, a desperdiçam com piadinhas sem fundamento psicanalítico Alexandrino (ou seria Freudiano? Nunca lembro.), fazendo a mocinha aqui beber além da conta para dar conta de tanta babaquice. Tão entendendo ou querem que eu desenhe? Sei que meu vocabulário é vasto e de difícil compreensão, não escrevo modestamente como a Dona desse Blog, mas tem o Google. Quando tiverem dúvida copiem a palavra e pesquisem o significado. Eu não vou me rebaixar para escrever primariamente só porque serei lida por uns desavisados gramaticais. Agora, esforcem-se e entendam meu ode e minha repulsa. Preciso que me compreendam, exijo que mudem suas posturas comigo e me respeitem! Estou exausta com tanta espetada.

Música para V.A., site da V.A., scraps de elogios para V.A.... Saco! E pra mim? Os desequilibrados me sobram! Nem um gatinho, só uns velhos tarados; é, meu Doce, velhos sim! Passou dos vinte e três eu falo – tem pão velho não. Passa amanhã.

Nunca, nunca, nunca, nunquinha me chamem de topetuda, estão ouvindo? Não é topete, é franja! E ela tem movimento singular. Nem a bicha que faz o cabelo da “beatch”in (é esse o sobrenome dela, né?), consegue tal leveza e perfeição. Não pareço com ninguém. Parem de uma vez por todas de dizer que sou a cara de uma escritora, ainda mais se ela for de meia tigela. Tenho olhos verdes e cabelos loiros, mas se eu estiver no Shopping Beira Mar, em Florianópolis, vou parecer com qualquer uma. E não sou qualquer uma. Ok. Querem me comparar a alguém, que seja com a Fergie. Até agüento, mas falta muito para aquela tadinha também. Gêdelicious não tem igual (Ponto final neste parágrafo, é óbvio).

Vamos a uma rápida terapia de grupo para ver se melhoro o padrão desestruturado dos leitores deste espaço. Unam-se a mim, não fechem os olhos – para que possam ler – mas, aos não míopes, cerrem... Isso... Agora, repitam este mantra 419 vezes: “luridápariquetá manteamimobom sefeliznagê fazêcomunidadeamelhorqueá assimcomlibrepracá cubalibrepralá”. Mentalizem lugar paradisíaco, música funk ambiente, todos em sintonia comigo, é claro.

Pronto. Sentiram crescer em vocês uma força de ser melhor e fazer o melhor para quem é melhor? Agora, o último passo para finalizarmos a terapia grupal:

Assim que lerem o fim desse manifesto, prometam a vocês mesmos que nunca mais irão ao Blog de um tal acento com misturado com sky, ler aqueles péssimos escritos e assistir vídeos de mal gosto. Façam isso e terão chance de melhorarem a si, um pouco que seja.

Antes que eu esqueça: apesar de que me lembro apenas que não é pra esquecerem coisa alguma... Ah, é! Voltando... Disseram que para postar meu manifesto teria que começar com a letra de alguma música. Pois bem, não conheço letra mais louca e sem nexo, compositor mais pirado e chato que Caetano Veloso. A letra é da música "Estrangeiro", mas não percam seu tempo nela, outra cultura inútil.


Tchau, Doces.
Gertrudes Ximenes, 22/10/2007

Recadinho: Este texto é dedicado para Graças Alfredo.

Tão esperando o quê? Acabou. E não visitem aquele blog! Lutem por seus neurônios.

“Como que sampleados num sinclavier:
"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai, do Filho, do Espirito Santo, amém!
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela:
É um desmascaro
Singelo grito:
"O rei está nu"
Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.”

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

TEVE FUNK NA MINHA CASA PAULEIRA



(“... Se solta, minha purpurinada! Essa é pra você esculachar...")

Sabe, adoro o Domingo – Dia de sinuquinha, de assistir clipes, de brincar de casinha. Particularmente, eu aproveito o Domingo para fazer as coisas de que mais gosto – quase nada. Leio jornais a semana inteira, mas não nesse dia. O exemplar dominical eu leio na Segunda. Isso é lei federal em minha vida: nada de jornais. Se a Rede “Bobo” resolvesse soltar todas as informações de que dispõe nesse dia, ao invés de as ficar segurando para ter ibope (porque é claro que, vocês sabem, se a Globo quisesse, explodia o Congresso), euzinha só ficaria sabendo, igualmente, na Segunda. Mas a Rede “Bobo” assim não o quer. No filme O Redentor (excelente em si, em elenco, em direção...), o então estúdio Globo Filmes deixa claro o poder em suas mãos. Explode tudo! Ah, o poder! Sempre rindo da nossa cara, chamando a todos de cachorro e a gente fazendo au-au.

Como é gostoso esse sosseguinho de Domingo! Titãs no áudio, copão de café, tranqüilidade... Ah, fala sério! Deveria ser proibido telefone tocar em dia de Domingo! Atendi com minha voz quase rouca (e ainda em pijamas!), torcendo pra que fosse algum engano...

– Alô...
– Oi, doce! Alô? Vírgula? Vvvviiiiiiirrrrrrrgguullllaaaaa...

Pensei em desligar imediatamente, arrancar o fio da tomada e correr para debaixo da cama! O que aquela pessoa com voz inconfundível queria comigo a uma hora daquelas? Já não basta ter que carregar o fardo de conhecê-la, ainda tenho que suportá-la? E no Domingo?

– Olá, Drª. Gertrudes. Como vai? Beleza?
– Ficou emocionada, não é, doce? Não esperava meu telefonema. Imagina quando eu te contar onde estou.

Não conta! Não quero saber! A mim não importa (Foi o que pensei)! Eu tinha certeza de que não ia gostar de saber.

– Onde, Doutora? No Distrito Federal? – Fui cínica. Precisava.
– Pára com essas formalidades comigo! Afinal, até dividimos a mesma comunidade no Orkut! Aliás, você anda mal em seu pedaço, lá! Todo mundo escreve para mim apenas. É muito louco lendo o que você escreve, mas sucesso mesmo sou eu.
– É, Gê... Tá! Em que posso ajudar você? – Falei, assustada com o que ela poderia pedir.
– Nada. Quem ajuda sou eu, esqueceu? Estou em Brasília e quero te fazer uma visitinha. Qual é o endereço?

Meu mundo caiu. Não é que ela estava mesmo aqui? Fui sugada para um buraco negro e o dia virou noite. O que a tal Doutora queria comigo? Meu Deus!

Bom, passei-lhe o endereço. “Então tá, então! Quando for aparecer, liga.”
– Já estou ligando, doce! Chego em dez minutinhos.

Desligou. Pronto. Eu mereço? Ninguém merece! Por que ela não vai visitar a Kakau, em São Paulo, ou a Lua, no Rio de Janeiro? Por que euzinha? Entrei em desespero, daqueles onde tudo fica de cabeça para baixo. Buzinaram.

Fui até o portão, resignada, receber a tal Doutora, que foi logo entrando, sem cerimônia, e se instalando no meu PC. “Preciso checar meus e-mails e a nossa comunidade. Não se importa, não é, doce?”

– Tem gelo? Então me faz um drink. – E virou-se antes que eu respondesse. Enquanto eu ia à cozinha procurar um vinho que abri no Natal (sabia que ela não notaria a diferença), ouvi-a cantarolando, ao mesmo tempo em que lia alguma coisa. Voltei e fiquei à espreita no corredor, para observá-la. Ela é compenetrada. Não concluí se por dificuldade de entendimento ou por inteligência. Por um instante gostei dela, mas passou quando me surpreendeu em meu ato de estudá-la e perguntou do drink.

Voltei com a taça de vinho e ela, de um só gole, quase a esvaziou.

– Então, Vírgula, o que anda fazendo de bom além de viajar sem parar? Eu, por exemplo, só viajo quando é imprescindível. Adoro o Rio de Janeiro e detesto ausentar-me de lá. Hoje mesmo, por estar aqui para um Congresso, vou perder meu programa preferido, onde me solto e esculacho.

Programa preferido? Eu não devia perguntar, mas não resisto. “Qual é?”

– Oras bolas, doce, baile funk, lógico!

Antes que eu de todo surpreendida, ela, naturalmente, debocha...

– Ah, esse Jô... Acredita que será o décimo convite dele que vou recusar?

Olhei para o monitor, a fim de tentar bem entender do que ela falava.

– A Senhora foi convidada para ir ao Jô? Dez vezes? E não foi? Não vai?

Agora era minha vez em debochar, mostrando cara de desacreditada.

– Já expliquei tanto para ele que estou cansada. Gosto de meninada; menininhos de dezoito a vinte aninhos principalmente. No dia em que mudarem a grade da programação e ele for ao ar no horário da Malhação, eu irei.

Não me contive, ri. O que achei interessante é que um amigo havia falado comigo sobre isso de que Malhação e afins deveriam ser substituídos por programas melhores, inclusive o Jô, os quais parassem de alienar nossos jovens. Mas é utópico. Ela cortou meu pensamento “transgressor” dizendo:

– Sabe o que eu adoraria ver? Cinema nacional na Sessão da Tarde, mas não dá. Tem-se que manter a discrepância...

Gostei dela por mais um instante. Mas passou.

– Doutora, então freqüenta bailes funk? – Perguntei.
– Sou amicíssima da Fernanda Abreu. Ela me apresentou a um pessoal que faz um funk maravilhoso, super construtivo e pra cima. Fui em meu primeiro baile no mês passado e, de cara, não gostei. Assim como na sua casa, não tinha cuba libre. Mas a batida é contagiante, libera as energias, é excelente tratamento terapêutico... Espera. Tem uns vídeos no YouTube...

Eu recuei. Aí já era demais! Não precisava disso. Esse tratamento terapêutico não era para mim. O que eu queria mesmo era meu Domingo de volta. Nada contra o funk. Adoro Fernanda Abreu, amo o Rio de Janeiro, mas não sei dançar essa “batida” e estou mais para rock’n roll.

Carregou. A batida foi entrando nos meus ouvidos e em segundos eu estava batendo o pé enquanto via um sorriso de satisfação e vitória na cara da Doutora. Mas eu não me importava. Queria mesmo era entender as letras. “Eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a consciência de que o pobre tem seu lugar...”; “é som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado...”. Gertrudes, a terapeuta, levantou-se e subiu na cadeira. Então observei que euzinha já mexia mais que um pé, mas não tive tempo para raciocinar. A música envolvia, ela era envolvente, e eu estava hipnotizada. Ela parou de cantar e, ainda dançando, me disse:

– Isso, Antenada! Agora, faz assim com os braços. Pra cima, isso, vai deslizando pelo corpo, isso. Levanta uma perna de cada vez, com o pé levemente virado para dentro. Mexe essa bunda, menina!

Eu estava louca, possuída, tentava imitar a Gertrudes em tudo e estava conseguindo. Queria desesperadamente que luzes piscassem.

– E SOLTA A MINHA PURPURINADA! – Eu gritava.

A Drª Gê gargalhava enquanto enfatizava que estávamos descontroladas. Eu e ela, fazendo os mesmos passinhos, em sintonia. Lembrava-me dos meus tempos de colégio, onde cruelmente influenciada e sem caráter formado, dançava Menudo e adorava Rick Martin. Perdi o senso e a compostura, estava contando, ou melhor, cantando e dançando meus segredos que me envergonhavam. “Eu só quero é ser feliz...”.

Ficamos ali, as duas, ela no vinho vinagre, eu no suor liberado durante horas. Mais tarde, caímos exaustas no sofá e rimos muito, totalmente embriagadas. Ela de destilado, eu de liberação de adrenalina. Antes que me recuperasse por inteiro, ela começou a se ajeitar, tirou um batom da bolsa, penteou os cabelos e disse-me que precisava ir. Eu não queria que fosse. Tentei a promessa de uma massa ao molho branco, comprar um Bacardi e Coca-Cola. Nada adiantou. Ela tinha um encontro com o comissário de bordo que conheceu no vôo. Já resignada, perguntei a ela de qual congresso participaria.

– Nenhum, doce. Não tentei nem mesmo me candidatar ao Congresso! Fujo de loucos perigosos, detesto marginais. Adoro mesmo é funkeiros e meu povo do Rio de Janeiro! Vou lá só pra fazer lobby do meu livro, usar de minha influência. Se eles dançam, eu danço, boto chapa quente.

Pensei: nisso ela é boa – Influenciar.

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

TARJA PRETA


Ando com problemas sentimentais seríssimos, precisando como nunca da ajuda das minhas ‘Claudias’ amigas e de meus ‘Claudios’ evoluídos. Tudo poderia se resumir em “I ‘still loving you’”, se eu soubesse como resumir a questão, é claro! A idade não me permite acreditar que ficar ouvindo Scorpions e comer chocolates vai abafar toda essa “deserrolução”. Paixão é coisa grave, arde... Queima mesmo à sombra e não há hidratante que faça passar a vontade do corpo em receber outro tratamento, mais intensivo, mais dinâmico e, preferencialmente, mais abrangente.

Tenho uma amiga, a Karla, que é taróloga e dá consulta pelo MSN. Pensei em procurá-la de imediato, mas logo em seguida desisti. Ela é boa... Vai que me revela o que não quero saber! Sou totalmente covarde quando o assunto é meu coração. Então, pensando, pensando, pensamento longe daqui, resolvi que precisava mesmo de ajuda clínica, de uma consulta, de um tarja preta básica que fizesse voltar minha serenidade e compostura neste aflitivo momento peculiar da minha vida. Em desespero e aos prantos, euzinha, acabada em cima do teclado, em um impulso latente e revelador, digito em um site de busca pelo remédio para meu desnorteio – terapia.

Eis que, imediatamente, surge um “ponto-com-ponto-br” a prometer milagres revolucionários para se encarar este mal que me consumia. Cliquei no link. Abriu. Dra. Gertrudes Ximenes: terapeuta sentimental, ocupacional e cívica, PhD em qualquer tipo de problema. Ex-socialite, falida (hoje namora Rodolfo, ex-funcionário do site de encontros via celular da Brasil Telecom e que, atualmente, tenta emprego como moderador na NET), especializada em dar conselhos e organizar festas de aniversário para caninos e felinos. Diz, em destaque no site, que gosta de ser chamada de “Gê” e que é carioca (descobri mais tarde que nunca pisou no Rio, pois eis que sofre de síndrome de pânico crônica). Seu slogan é “Meus conselhos são bálsamos medicinais. Se não resolver, ampute!”. Procurei a página que me levaria ao histórico dessa profissional e encontrei, postado em vermelho intenso, os seguintes dizeres: “Não durmo nunca! Ligue para um destes números e o socorro será imediato.”. Eu só podia estar louca e consumida, inebriada. Fala sério! Já passava das duas da madrugada e fazia exatamente vinte intermináveis minutos em que eu não tinha contato com a pessoa responsável pelo meu torpor avassalador de paixão que deixou em mim gosto de vinho tomado em jejum. Liguei.

Depois de cinco toques ouço um barulho ensurdecedor do outro lado do aparelho. Um misto entre conversa sem sentido algum e uma música estridente cantada por uma intérprete com voz igualmente estridente, de onde consegui distinguir apenas as palavras “a lua me traiu...”. Desliguei. Ninguém merece! Eu devia era ter tomado um balde de chá de camomila e desaguado as mágoas em sono profundo, tentando relaxar e esquecer. Resolvo desligar o PC e antes que executasse o desligamento por inteiro do meu desencanto, o telefone toca. Quem estaria me ligando a essa hora? Atendo, num impulso natural de quem não deixa nada para depois, acostumada aos trancos. Uma voz nasalada e contida, parecendo estar desesperadamente tentando abafar burburinhos frenéticos e constantes, me diz “Você me ligou? Então fala. Fala que eu tento te escutar...”.

Fiquei muda. O que euzinha ia dizer para a tal Doutora? Respirei fundo e em literal sofreguidão soltei o verbo declarando, tão honestamente quanto declaro meu Imposto de Renda, o quanto sofria de paixão. Contei o que as palavras me causavam e o desejo que ardia em meu corpo inteiro. Dedurei como era malvado o meu amor, que somente me queria para consumir a boca, enquanto eu queria dar o todo. Ela me interrompeu e com jeito de persona superior e poderosa me disse “Dar tudinho que nada, meu bem! Ou tem troca ou você não vai dar nadinha. Nos tempos de hoje, o câmbio tem que estar sempre a nosso favor ou então guarde o que tem no colchão e use por lá mesmo, sozinha e com seus recursos.”

Já passava das três e a análise se estendia. Passou-me o diagnóstico, disse-me que eu estava sofrendo do “Mal de Britney Spears”, que estava vazia! Que esta paixão era “um maremoto que veio do norte litorâneo com pancadas de não reciprocidade, invadindo o deserto da minh’alma”. Uau... Ela é boa mesmo, pensei. Sem me fazer pergunta, marcou a próxima consulta para daqui a quinze dias – É que as vagas estavam tomadas. Não tive chance em dizer que não haveria próxima seção. Terminou dizendo que meu caso era sério, que parecia o som de um bolero e que naquele momento ela tinha um encontro. Ia tomar uma dose dupla com um romântico de Cuba. Foi um “Até mais!” e desligou. Não sei se vou procurá-la novamente. Perguntarei antes a alguns amigos. De qualquer forma, por via das dúvidas, talvez eu siga seu slogan e ampute.
 
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